Susan Sontag

Susan Sontag

Desde meados dos anos sessenta, que Susan Sontag se tornou uma figura proeminente na cena intelectual nova-iorquina. O seu primeiro livro foi The Benefactor (1963), e desde então publicou duas outras obras de ficção. No entanto, a sua reputação baseia-se sobretudo nos seus ensaios, que contribuíram para propagar o entusiasmo por escritores, pensadores e realizadores europeus: Levi-Strauss, Barthes, Resnais, Codard Benjamin, Canetti, entre outros.

Sontag era persuasiva não só porque era uma boa escritora, mas também porque transmitia um envolvimento apaixonado nos temas que abordava. A uma variedade de preocupações culturais, Sontag aplicava o mesmo escrutínio rigoroso. A sua análise incisiva assumia frequentemente a forma de reagrupamentos de pontos de referência familiares. Novas listas, novos contextos para outras citações que se tornavam elas próprias, ideias novas. No entanto, há uma série de paradoxos na posição de Sontag como ensaísta que rapidamente se tornam evidentes. Sontag, fascinada pelo moderno na arte e no pensamento, desconfiava profundamente de muitos aspectos da vida moderna – especialmente óbvio no seu livro On Photography.

Sontag prefere artistas e pensadores que sejam resistentes à fácil assimilação pelo seu público, mas uma boa parte da sua carreira de escritora foi passada a explicar escritores complexos, particularmente franceses, mas reconhece a interpretação num ensaio inicial, o ensaio que dá título à sua primeira coletânea – On Interpretation (1966). Sontag, tanto na vida como na arte, repudia uma posição interpretativa. A doença como metáfora (1978) é uma extensa provocação contra os que interpretam a tuberculose ou, especialmente, o cancro como manifestações físicas da doença, ou, sobretudo, o cancro como manifestações físicas de conflitos psíquicos. Nos seus ensaios, Sontag evita a primeira pessoa do singular, embora a sua escrita seja muito pessoal na sua ficção,
Na ficção, no entanto, gosta de jogar com a voz narrativa e a persona, como se verifica nos títulos da sua coleção de contos.
Estes paradoxos não lhe diminuem a obra; pelo contrário, contribuem para a tensão criativa entre esteticismo e crítica social, sensualidade e rigor intelectual.

Esta tensão é especialmente evidente em On Photography, onde a autora diagnostica o carácter imagético da nossa sociedade e o carácter fundamentalmente estetizante das imagens fixas (por oposição à narrativa, que é a única que pode ser usada e explicar a realidade).


Nas últimas duas décadas, Sontag publicou os seus ensaios principalmente na Partisan Review e The New York Review of Books, e foram reunidos em três volumes.

É uma escritora pela qual não podemos passar ao lado. A sua obra é de grande importância e merece uma leitura atenta, nem que seja nos ensaios publicados nas últimas décadas que acima referimos.

Publicado por Catarina SottoMayor

Psicoterapia Psicanalítica, Psicanálise e Hipnose Clínica

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