Mitos sobre a hipnose clínica

Hipnose Clínica

O que lhe ocorre quando pensa em hipnose? Imagina um espetáculo com alguns dos seus amigos no palco a ladrar como cães? Imagina alguém que balança um pêndulo e os olhos da pessoa começam a rodopiar? Estes são alguns dos exemplos a que a hipnose é tipicamente retratada; no entanto, essa ideia tem pouca semelhança com a hipnose aplicada na prática clínica – hipnose clínica. De facto, a hipnose é uma intervenção mente-corpo cada vez mais comum em contextos de medicina comportamental, com evidências crescentes para doenças como o controlo da dor, o tabagismo e a Síndrome do Intestino Irritável (SII).

Infelizmente, existem muitos mitos e equívocos em torno da hipnose que podem limitar o conforto do paciente e do provedor com esta ferramenta de tratamento potencialmente eficaz (APA Division 30, Society of Psychological Hypnosis, 2014). Estes incluem:

Mito 1: Quem realiza hipnose perde o controlo sobre si

Um dos principais mitos em torno da hipnose é que o indivíduo perderá o controlo e ficará sob o controlo do hipnotizador. Isto não é verdade e os indivíduos que experimentam a hipnose estarão sempre sob controlo total. A hipnose não pode obrigar alguém a fazer algo que não queira.

Mito 2: O indivíduo fica preso na hipnose

Outro mito que envolve a hipnose é o facto de as pessoas ficarem “presas” na hipnose. Isto não é exato, e as pessoas podem terminar a hipnose voluntariamente em qualquer altura.

Mito 3: As pessoas ficam inconscientes durante a hipnose

As pessoas que experimentam hipnose são participantes ativos na sessão e não estão inconscientes ou a dormir. É possível que as pessoas se sintam muito relaxadas e abertas à sugestão, mas isso não significa que durmam ou estejam inconscientes.

Agora que estamos cientes de alguns dos mitos e equívocos, vamos discutir os factos. A hipnose é definida como: “Um estado de consciência que envolve atenção focada e consciência periférica reduzida, caracterizado por uma maior capacidade de resposta à sugestão” (Elkins et al., 2015, p. 382). As sessões de hipnose envolvem normalmente duas fases. A primeira fase envolve uma indução, em que o indivíduo é instruído a relaxar e a concentrar a sua atenção. Depois, durante a fase de aplicação, são dadas sugestões, que são adaptadas para tratar problemas ou dificuldades específicas. Por exemplo, para uma pessoa que sofre de afrontamentos, podem ser dadas sugestões para se refrescar e podem incluir imagens de montanhas ou neve. A hipnose tem muitas aplicações na medicina comportamental e pode ser usada para tratar sintomas, condições e comportamentos. Por exemplo, a investigação demonstrou que a hipnose pode ser benéfica para: reduzir dor; reduzir sintomas de SII (Síndrome de Intestino Irritável); melhorar o sono; reduzir afrontamentos; reduzir stress e outros.

Da próxima vez que ouvir falar de hipnose, em vez de imaginar um espetáculo ou um filme, imagine uma intervenção mente-corpo eficaz que pode ser utilizada para tratar muitos sintomas e condições variadas.

Tradução adaptada Sociedade de Hipnose Clínica e Experimental (2021) da Society of Behavioral Medicine.

Publicado por Catarina SottoMayor

Psicoterapia Psicanalítica, Psicanálise e Hipnose Clínica